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Aposta europeia na defesa dá gás ao grupo Indra

A multinacional espanhola, com presença em Portugal, está de olho nos planos de Bruxelas para a Defesa. O CEO da operação portuguesa acredita que, por cá, o país ainda tem muito a fazer no setor.

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31 de Março de 2025 às 10:00
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A crescente aposta da União Europeia no setor da defesa promete dar ainda mais fôlego à atividade do grupo Indra. A empresa espanhola, com presença sólida em Portugal, posiciona-se como um dos principais beneficiários do novo impulso europeu, que pretende acelerar a autonomia tecnológica e reforçar as capacidades militares do continente, numa altura em que as tensões geopolíticas se mantêm elevadas.

“Esta é uma oportunidade para nós, sendo uma das empresas de referência na Europa a trabalhar na área da defesa”, afirmou Vasco Mendes de Almeida, CEO da Indra em Portugal e nos PALOP, em entrevista ao Negócios. “É uma área que está no nosso plano estratégico, o 'Leading the Future', como uma das áreas prioritárias.”

A Indra não fabrica armamento, mas é integradora de soluções tecnológicas aplicadas à defesa. O seu foco tem estado na introdução de tecnologias como inteligência artificial, comunicações seguras e sensores avançados. “Temos acelerado a introdução desta componente tecnológica tanto no setor da defesa como nos outros setores em que operamos”, indica.

Há uma convergência cada vez maior entre espaço e defesa, seja para comunicações seguras, seja para partilha de informação crítica.Vasco Mendes de AlmeidaCEO da Indra em Portugal e nos PALOP

Um dos exemplos mais recentes é o projeto europeu NG-MIMA (Next Generation Military Integrated Modular Avionics), liderado pela Indra e com mais de 20 parceiros europeus. Com um orçamento de 30 milhões de euros, este programa visa desenvolver uma arquitetura modular de aviónica para plataformas aéreas militares de próxima geração. “Este projeto é fundamental para promover a soberania tecnológica europeia e a autonomia em aviónica militar integrada”, destacou a empresa no anúncio oficial.

A necessidade deste reforço é reconhecida em Bruxelas. A Comissão Europeia quer que todos os Estados-membros utilizem a flexibilidade orçamental para aumentar os investimentos na defesa, de forma a atingir os 2% do PIB. No terreno, Portugal tem dado os primeiros passos, mas há ainda muito caminho para andar.

“O país tem dado passos importantes na defesa, especialmente na componente tecnológica. Existem investimentos previstos na Lei de Programação Militar para a aquisição de radares primários e secundários, onde temos soluções robustas. Contudo, é sabido que Portugal ainda não atinge a meta de 2% do PIB para a defesa, como recomendado pela NATO, e pode ter de aumentar este investimento no futuro”, sublinhou Vasco Mendes de Almeida.

Paralelamente, a Indra tem vindo a reforçar a presença no setor espacial, desenvolvendo sinergias entre aplicações civis e militares. “Há uma convergência cada vez maior entre espaço e defesa, seja para comunicações seguras seja para partilha de informação crítica. É uma área em que estamos muito presentes e em que vemos grande potencial”, referiu ainda o responsável.

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