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Barómetro: Partido vencedor sem maioria deve governar sozinho

Se o PS ou a AD ganharem, mas só conseguirem formar governos minoritários, a opinião da maioria é que assim devem fazer e que quem perder não deve levantar objeções. As coligações, à esquerda ou à direita, não reúnem consensos e se estiver em causa o Chega, então, “não” deve mesmo ser “não”.

A proposta de autorização legislativa é discutida esta segunda-feira com os sindicatos, mas são os deputados que decidem se aprovam o artigo.
Sem uma maioria parlamentar, quem ganhar deve poder formar Governo, conclui a sondagem da Intercampus.
31 de Março de 2025 às 08:40
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Se os socialistas ganharem as eleições legislativas de 18 de maio, mas sem maioria absoluta, a AD deve deixar que governem sozinhos. E se acontecer o oposto, se for a AD a obter mais votos, mas não os suficientes para uma maioria absoluta de deputados, deve também formar governo. Esta é uma das conclusões do barómetro de março da Intercampus para o Negócios, Correio da Manhã e CMTV. Já a opção por coligações pós-eleitorais é pouco consensual e ainda menos se o Chega for um dos elementos da equação. 

Ganhando o PS, mas sem maioria, 54,2% dos inquiridos estão convencidos de que a AD deve deixar os socialistas governarem sozinhos e só 30,2% dizem que não. E se for a AD a ganhar, mas sem maioria absoluta, a resposta positiva é ainda mais significativa: 63,3% dos participantes na sondagem defendem que a coligação deve formar Governo. Ou seja, "os eleitores optam pela estabilidade e acham que o vencido deve deixar o vencedor governar", concluem os autores do barómetro. 

E se, em vez de governos minoritários, o vencedor tentar encontrar apoios junto de outros partidos no sentido de uma coligação pós-eleitoral? Aparentemente, nenhuma das possíveis soluções se destaca por aí além. À esquerda, a possibilidade de o PS se juntar a outros partidos como o Bloco, Livre ou PCP para formar um Governo, ainda que minoritário, deixa os participantes indecisos: 40,7% admitem que sim, mas 41,7% responde que não e uma fatia de 17,7% não sabe o que responder. 

Caso a opção do PS fosse por um acordo com a AD no sentido de tentar fazer um bloco central? Mais uma vez, a resposta é pouco conclusiva - 41,3% admitem essa hipótese, mas 40,7% dizem que então mais vale o PS governar sozinho. O grau de indecisão é idêntico se for ao contrário, ou seja, a AD a ganhar e a tentar juntar-se ao PS para assegurar maioria no Parlamento. 

E coligações à direita, mais exatamente entre a AD e o Chega, num cenário em que Montenegro não consiga a maioria absoluta? Quase 70% dos inquiridos não tem dúvidas de que aí mais vale um governo minoritário, do que uma aliança com André Ventura - apenas 19,8% admitem essa possibilidade, dando força ao "não é não" que a AD traz já das anteriores eleições e mantém agora, quando se prepara para a nova campanha eleitoral. 

Saúde lidera preocupações 

Coligações à parte, e olhando já para a campanha, os inquiridos do barómetro de março elegem a saúde como o tema mais importante que mais deve ser discutido pelos candidatos. Quase 90% das pessoas aponta esta área como uma das três que considera mais relevantes. Segue-se a educação, escolhida por 54,2% dos participantes. Apenas um quarto salienta a questão da segurança e 30% elege a imigração, num e noutro caso questões que têm andado em cima da mesa. 

Tal como o Negócios já avançou, a AD lidera, nesta sondagem, as intenções de voto, ainda que a uma distância curta do PS. E Luís Montenegro, que esteve no olho do furacão por causa da sua empresa familiar, não se livra de culpas. 49,3% dos inquiridos considera que foi ele quem teve mais culpa nesta crise política, contra 28,4% que consideram ter sido o PS o principal responsável. Uma fatia ainda grande de 22% não sabe o que responder. 

FICHA TÉCNICA

Objetivo: Sondagem realizada pela Intercampus para a CMTV, com o objetivo de conhecer a opinião dos portugueses sobre diversos temas da política nacional, incluindo a intenção de voto em eleições legislativas. Universo: População portuguesa, com 18 e mais anos de idade, eleitoralmente recenseada, residente em Portugal Continental. Amostra: A amostra é constituída por 605 entrevistas, com distribuição proporcional por género, idade e região. Seleção da amostra: A seleção do lar fez-se através da geração aleatória de números de telefone fixo/móvel. No lar a seleção do respondente foi realizada através do método de quotas de género e idade (3 grupos). Foi elaborada uma matriz de quotas por Região (NUTSII), Género e Idade, com base nos dados do Recenseamento Eleitoral da População Portuguesa (31/12/2023) da Direção-Geral da Administração Interna (DGAI). Recolha da Informação: A informação foi recolhida através de entrevista telefónica, em total privacidade. Os trabalhos de campo decorreram de 20 a 26 de março de 2025. Margem de Erro: O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de 4%. Taxa de Resposta: A taxa de resposta obtida neste estudo foi de: 56,6%.

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