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Le Pen impedida de concorrer às presidencias francesas de 2027

O tribunal decretou que, durante cinco anos, a líder do União Nacional não pode concorrer a eleições. É uma das consequências da condenação por desvio de fundos europeus.

Reuters
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Marine Le Pen foi condenada por desvio de fundos e está agora oficialmente impedida de se candidatar às presidenciais francesas de 2027.

O Tribunal Penal de Paris considerou que a líder da União Nacional era culpada de desviar milhões de euros em fundos europeus para financiar atividades relacionadas com a sua agenda doméstica, indica a Bloomberg.

Le Pen foi condenada a dois anos de prisão, e a outros dois de pena suspensa - os dois primeiros podem ser cumpridos através do uso de uma pulseira eletrónica, diz a BBC. Terá ainda de pagar uma multa de 100 mil euros.

À pena junta-se a proibição de participar em eleições durante cinco anos, o que, na prática, a impede de concorrer às próximas presidenciais.

Marine Le Pen, de 56 anos, está na liderança das sondagens para as presidenciais de 2027 e já tinha avançado que essa seria a sua terceira e última candidatura. 

O advogado de Le Pen, Rodolphe Bosselut, já confirmou, entretanto, que vai recorrer da sentença.

Líderes da extrema-direita de todo o mundo já reagiram. O holandês Geert Wilders disse apoiar Le Pen "a 100%", Viktor Orban da Hungria escreveu nas redes sociais "Je suis Marine!", o britânico Nigel Farage disse que Marine foi "cancelada" e o italiano Matteo Salvini afirmou que a decisão do tribunal era "uma declaração de guerra de Bruxelas" - "Não nos deixaremos intimidar, não vamos parar: a todo o gás, minha amiga!". Da Rússia chegou ainda a reação do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov: "Cada vez mais capitais europeias estão a enveredar pelo caminho do atropelo das normas democráticas".

O tribunal estimou que o caso de desvio de fundos públicos que envolve Marine Le Pen e oito eurodeputados causou um dano total de cerca de 2,9 milhões de euros provenientes de um esquema que fazia com que o Parlamento Europeu "assumisse o controlo de pessoas que, na verdade, trabalhavam para o partido de extrema direita". 

Entre os réus deste processo encontram-se ainda onze eurodeputados, ou ex-deputados, da União Nacional, como o atual presidente da Câmara de Perpignan Louis Aliot e pai de Marine Le Pen, que faleceu a 7 de janeiro de 2025, mas também doze pessoas que trabalharam como assistentes parlamentares, incluindo a irmã de Le Pen, Yann Le Pen, e outros quatro colaboradores do partido.  

Os nove eurodeputados e doze assistentes considerados culpados assinaram "contratos fictícios" que faziam parte de um "sistema" montado pelo partido, afirmou a juíza Bénédicte de Perthuis: "Ficou estabelecido que todas as pessoas trabalhavam realmente para o partido e os seus parlamentares não lhes davam nenhuma tarefa". 

"As investigações também mostraram que não se tratava de erros administrativos, mas de apropriação através de um sistema criado para reduzir os custos do partido", continuou a juíza antes de explicar que o esquema não passava por "unir o trabalho dos assistentes, mas sim de unir os orçamentos dos deputados". 

À chegada ao tribunal, Le Pen manteve-se em silêncio, embora já tenha afirmado que os procuradores pretendem a sua "morte política", alegando que o caso se trata de uma conspiração para manter o RN fora do poder - uma argumentação comum à de Donald Trump ou outros populistas condenados em tribunal.

Notícia atualizada às 16h35 com mais informação

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