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Turismo teve “crescimento assinalável”, mas há desafios

O secretário de Estado do Turismo lembrou a necessidade de “um novo olhar para os territórios” e de tirar partido do desenvolvimento tecnológico. Pedro Machado foi orador na Conferência Governança desta quarta-feira.

Mariline Alves
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"Precisamos de crescer em valor", defendeu Pedro Machado durante a abertura da Conferência Governança, organizada esta quarta-feira pelo Jornal de Negócios em Cascais. O secretário de Estado do Turismo lembrou os resultados positivos do sector em 2024, ano em que foram atingidos os objetivos previstos para 2027. "Portugal traduz um crescimento assinalável, diria mesmo inigualável. Atinge números extraordinários", sublinhou.

Em causa está o aumento transversal de todos os indicadores, em particular no número de hóspedes, que ultrapassou o marco dos 31 milhões, mas também das dormidas (80 milhões). São, referiu, "mais de 27,6 mil milhões de euros de receitas, o que traduz bem a importância que esta indústria tem hoje para o país".

Comparando o turismo com o desempenho de outras áreas da economia nas exportações, a atividade, que registou 14,4% de vendas ao exterior no ano passado, fica acima do peso da indústria automóvel (9%) e das máquinas e equipamentos (9,8%). "Mesmo com as previsões objetivas, alavancadas em dados, todas as previsões que tínhamos para 2027 conseguimos atingir em 2024", reiterou.

Para Pedro Machado, é preciso continuar a trabalhar para manter o crescimento turístico e, para isso, é preciso apostar em três drivers. "Primeiro, crescer com a tecnologia. Significa tirar partido de uma inteligência cada vez mais artificial, à qual obriga mais inteligência emocional", começou por dizer.

Em segundo lugar, é preciso "crescermos com equilíbrio" e isso significa ter "coesão" no território, que precisa de "um novo olhar". Por fim, o secretário de Estado do Turismo lista o crescimento em valor como prioridade – mais valor para todos os operadores, em toda a cadeia de valor.

Esta trajetória, porém, não deve esquecer o "desafio da mitigação das alterações climáticas". "Sentimos pressão sobre os nossos recursos. Veja-se o caso do Algarve, em 2023 e 2024, com pressão sobre os recursos hídricos", lembrou.

Por outro lado, é cada vez mais necessária "flexibilidade e agilidade" num mundo em transformação, com instabilidade económica e geopolítica. "Um dos desígnios que o ministro Pedro Reis tem falado tem a ver com a capacidade de atrairmos e retermos talento", acrescentou.

Apesar dos obstáculos e tendo em conta o desempenho positivo do sector turístico nos últimos anos, Pedro Machado não tem dúvidas de que Portugal será capaz de encontrar respostas aos desafios e vingar. "Saibamos encontrar ventos favoráveis e a nossa história diz-nos que somos bons a encontrar ventos favoráveis", rematou.

 

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