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Região Norte é mais aberta ao exterior do que a média nacional

Se o têxtil e o calçado estão a atravessar tempos de menor fulgor, é visível o crescimento das fileiras automóvel e metalomecânica, sublinha Fernando Freire de Sousa, presidente da CCDRN.

Negócios 22 de Janeiro de 2020 às 13:15
Freire de Sousa dá os exemplos das fileiras automóvel e metalomecânica.
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É na Região Norte que a indústria têxtil e do vestuário tem não só o coração mas quase todo o corpo. Representa 19% das exportações 9% do emprego e da produção e 6% do volume de negócios gerados na região. É na Região Norte estão 87% do volume de negócios e da produção, 86% do emprego e 79% das exportações da indústria têxtil e vestuário.

Este setor industrial, dito tradicional, atravessa tal como o do calçado um período de menor fulgor, o que se deve, segundo Mário Jorge Machado, presidente da ATP - Associação Têxtil e Vestuário, "às incertezas do comércio mundial e ao aumento dos custos de contexto que levaram à quebra das exportações destes produtos para Espanha, nosso principal mercado de destino de exportações". Por exemplo, o grupo Inditex, aposta "na China e Bangladesh, como fornecedores de menor proximidade para as maiores quantidades, e para os fornecedores de maior proximidade temos a forte concorrência da Turquia e Marrocos", refere Mário Jorge Machado.

A economia portuguesa está muito dependente da dinâmica europeia e internacional, o que tem um maior impacto na Região Norte, "é largamente mais aberta ao exterior do que a média nacional", sublinha Fernando Freire de Sousa, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDRN). Defende que a capacidade de resposta "tem a ver com as desejáveis diversificação setorial, de origens geográficas internas dos produtos a exportar e de mercados compradores".

O impacto da inovação

Assinala ainda o crescimento visível "das fileiras automóvel e metalomecânica no seio da nossa estrutura produtiva e exportadora e que é previsível que tal dinâmica possa prosseguir". Fernando Freire de Sousa salientou que a Região Norte, na classificação da Comissão Europeia, passou de uma região moderadamente inovadora a uma região fortemente inovadora em 2019 e que "muitos projetos estão a acontecer e irão surgir em áreas de alta e média tecnologia, tornando pensável uma crescente especialização da Região em domínios dessa natureza".

A Região Norte foi a região portuguesa que mais cresceu em 2018, com um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,9%, o que se deve ao desempenho do Valor Acrescentado Bruto (VAB) na indústria, energia e comércio, transportes, alojamento e restauração.

Para Mário Jorge Machado é também pela inovação, em sentido lato, que passa o futuro do têxtil e vestuário. "Devemos continuar a apostar naquilo que são os seus fatores críticos de sucesso: bens e serviços de elevada qualidade, tecnicidade e inovação, resposta rápida e flexível, e soluções integradas que, para além do produto, abrangem serviços complementares como a logística, por exemplo, mas estes fatores são morosos e complexos na sua implementação", concluiu.

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