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Os bancos que mais fazem pelo seu dinheiro

Os investidores não tiveram sorte com os mercados nos últimos cinco anos. As bolsas de acções e obrigações são ricas em perdas desde o Verão de 2004 e, por transitividade, os fundos de investimento disponíveis aos aforradores nacionais não deixaram...

08 de Setembro de 2009 às 09:45
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A crise financeira não ajudou, mas os fundos de investimento de alguns bancos permitiram ter desempenhos reais positivos nos últimos cinco anos.


Os investidores não tiveram sorte com os mercados nos últimos cinco anos. As bolsas de acções e obrigações são ricas em perdas desde o Verão de 2004 e, por transitividade, os fundos de investimento disponíveis aos aforradores nacionais não deixaram as poupanças crescer.

A primeira metade dos últimos cinco anos até estava a correr bem para as acções - o compasso era lento mas crescente -, mas, em Julho de 2007, a confiança económica desapareceu, desvendando a face dos prejuízos bolsistas. Os fundos geridos por sociedades portuguesas ganharam pouco mais de 1% por cada um dos últimos cinco anos, o que nem supera a inflação registada. Apenas um em cada três fundos de gestores portugueses conseguiu dar mais do que a inflação tirou desde Agosto de 2004.

A crise financeira mundial mostrou muitas coisas novas aos investidores, mas há uma que tem um valor especial: o "crash" permitiu saber quais são os gestores de activos que mais resistiram às dificuldades do mercado. Foram poucos os especialistas que conseguiram levar uma carteira diversificada de activos - acções, obrigações e tesouraria - a um bom porto nos últimos cinco anos. O Negócios estudou o desempenho de um portefólio-modelo junto dos principais bancos nacionais para saber quais conseguiram mais para os seus clientes.

Magros ganhos
Partindo de um portefólio diversificado - 30% em acções europeias, 20% em acções portuguesas, 20% em obrigações de taxa fixa, 20% em obrigações de taxa indexada e 10% em tesouraria -, o Negócios investigou os bancos nacionais através dos quais seria possível construir essa carteira usando fundos de investimento registados em Portugal. Sete instituições financeiras conseguiam satisfazer esse desejo em 2004: Caixa Geral de Depósitos, BCP, Banco Espírito Santo, Santander Totta, Banco BPI, Montepio e Banif.

De seguida, foram seleccionados os melhores fundos de cada banco para satisfazer o portefólio-modelo e, posteriormente, contabilizou-se o desempenho das carteiras, tendo em conta as comissões de subscrição em vigor há cinco anos e as de resgate actualmente válidas. Resultado: apenas os fundos do Banco Espírito Santo, do Santander Totta, do Banco BPI e do Montepio teriam alcançado um desempenho superior à taxa inflação de 9,43% desde Agosto de 2004, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Conheça as soluções dos bancos que mais poderiam ter feito pelo seu dinheiro ao longo dos últimos cinco anos.


Saiba quem foi melhor

Os desempenhos nos últimos cinco anos revelam resultados diferentes para quem tivesse investido nos fundos de cada banco, seguindo a estrutura da carteira-modelo. Saiba quem conseguiu as melhores "performances" e em que especialidades se distinguiu cada instituição financeira analisada.




Banco Espírito Santo

Rendibilidade anual a 5 anos
2,95%
Categoria mais forte
Obrigações de taxa indexada
Categoria mais fraca
Acções europeias

Quem tivesse investido 25 mil euros na carteira-modelo através do Banco Espírito Santo há cinco anos, teria actualmente quase 29 mil euros. A Espírito Santo Activos Financeiros, sociedade gestora do BES, foi a única que conseguiu um ganho superior a 15% nos cinco anos, o que se traduz num rendimento anual de quase 3%. Embora tenha ficado acima dos resultados médios em todas as categorias, a especialidade da ESAF são as obrigações de taxa variável. Mesmo contabilizando a comissão de 0,125% que era cobrada na subscrição do Espírito Santo Renda Trimestral há cinco anos, este fundo rendeu mais do que as propostas dos outros seis bancos. Além do Renda Trimestral, a ESAF também gere o Espírito Santo Renda Mensal, o Espírito Santo Capitalização e o Espírito Santo Capitalização Dinâmica. Todos eles tiveram melhores desempenhos que a oferta concorrente nos últimos cinco anos, à excepção do Raiz Rendimento, do Crédito Agrícola.




Santander Totta

Rendibilidade anual a 5 anos
2,36%
Categoria mais forte
Acções portuguesas
Categoria mais fraca
Tesouraria

O Santander Acções Portugal é o ponto forte da sociedade gestora de activos do Santander Totta. O gestor Ricardo Lourenço e a sua equipa conseguiram registar um desempenho anual dois pontos percentuais acima da média da concorrência. Um investimento de mil euros neste fundo de acções nacionais há cinco anos teria crescido para perto de 1.380 euros. No início de Agosto, a maior aposta da Santander Asset Management era nas acções da Galp Energia, seguida dos títulos do Banco Espírito Santo e da EDP. A maior fraqueza de um investidor que aplique o seu dinheiro numa carteira diversificada de fundos no Santander Totta é a tesouraria, a única categoria que ficou abaixo do desempenho médio da concorrência dos últimos cinco anos. O fundo Santander Multitesouraria acumulou um ganho anual de 1,13% nesse período.




Banco BPI

Rendibilidade anual a 5 anos
2,11%
Categoria mais forte
Acções europeias
Categoria mais fraca
Obrigações de taxa indexada

Os investidores que optaram por aplicar as suas poupanças em obrigações de taxa indexada através do BPI Taxa Variável tiveram os resultados piores. O fundo do Banco BPI desvalorizou-se 21,29% nos últimos cinco anos. Embora essa marca fique acima do resultado do Millennium Obrigações e do Millennium Obrigações Mundiais, o Millennium bcp tem um produto de taxa indexada que teve um registo ligeiramente superior, o Millennium Rendimento Mensal. Para compensar, o Banco BPI tem o melhor fundo de acções europeias. O BPI Europa Crescimento rendeu quase 18% nos últimos cinco anos. No início de Agosto, a petrolífera francesa Total, a espanhola Telefónica e o Banco Santander eram as maiores apostas do gestor José Badalo, responsável pelo produto desde Junho de 2007. Com a ajuda desde fundo, a carteira-modelo investida através do Banco BPI transformaria 25 mil euros em cerca de 27.750 euros nos últimos cinco anos.




Montepio

Rendibilidade anual a 5 anos
2,05%
Categoria mais forte
Obrigações de taxa indexada
Categoria mais fraca
Obrigações de taxa fixa

O Montepio não tem qualquer fundo de acções nacionais, mas os gestores do Montepio Acções procuram dividir o portefólio entre títulos portugueses e do resto da Europa. No início de Agosto, o maior activo eram as acções da Portugal Telecom. Assim, para conseguir seguir a carteira-modelo, os clientes do Montepio necessitam de alocar 40% do capital ao Montepio Acções e 10% ao Montepio Acções Europa, um fundo que só investe em acções europeias. Contudo, é no mercado obrigacionista que a Montepio Gestão de Activos, a sociedade gestora da associação mutualista, se destaca: positivamente pela administração do Montepio Obrigações e negativamente pelo resultado do Montepio Taxa Fixa, que ficou aquém da concorrência nos últimos cinco anos. Apesar de o Montepio Obrigações ter ficado entre os poucos fundos de taxa indexada que tiveram uma "performance" positiva nos últimos cinco anos, a rendibilidade anual nesse período foi de apenas 0,12%.




Millenium BCP

Rendibilidade anual a 5 anos
0,46%
Categoria mais forte
Acções portuguesas
Categoria mais fraca
Obrigações de taxa indexada

Como os resultados obtidos pelos fundos nos últimos cinco anos foram muito reduzidos, fruto essencialmente da evolução dos mercados, as comissões de subscrição de 0,5% dos fundos Millennium Eurocarteira e Millennium Acções Portugal penalizaram bastante o desempenho final da carteira-modelo. Porém, actualmente essas comissões estão suspensas para as subscrições que se efectuarem até ao final de Abril de 2010. Apesar da comissão de subscrição, o Millennium Acções Portugal conseguiu oferecer um retorno acima da média desde o Verão de 2003. Um investimento de mil euros ter-se-ia transformado em 1.330 euros nos últimos cinco anos, mesmo retirando a comissão de subscrição ao valor inicial. O calcanhar de Aquiles do Millennium bcp são os fundos de taxa indexada. O Millennium Rendimento Mensal, o melhor deles, perdeu 4,65% por ano nos últimos cinco anos, e o Millennium Obrigações Mundiais, o pior, desvalorizou-se 5,92% por ano.




Banif

Rendibilidade anual a 5 anos
0,14%
Categoria mais forte
Tesouraria
Categoria mais fraca
Acções europeias

O avanço da carteira-modelo que se baseia nos melhores fundos do Banif teve um avanço quase nulo nos últimos cinco anos. Quem tivesse aplicado 25 mil euros nesses instrumentos de investimento e aforro teria ganho menos de duas centenas de euros. O Banif Euro Acções é o principal lastro na evolução do portefólio nos últimos cinco anos. O fundo de acções europeias foi o que mais perdeu nos últimos cinco anos, quase 9%, o que se traduz numa desvalorização anual de 1,83%. A área em que a Banif Gestão de Activos mais se salienta é na administração de tesouraria. Desde Agosto de 2003, o Banif Euro Tesouraria rendeu 1,61% por ano, um pouco acima da média da categoria de fundos de tesouraria e do mercado monetário. Recentemente, o principal activo no portefólio do fundo é uma emissão de taxa variável do Banco Comercial Português que se vence em 2010.




Caixa Geral de Depósitos

Rendibilidade anual a 5 anos
-0,22%
Categoria mais forte
Obrigações de taxa fixa
Categoria mais fraca
Acções portuguesas

O Caixagest Acções Portugal foi, claramente, o pior fundo de acções portuguesas ao longo do último quinquénio. Enquanto a concorrência avançou, em média, cerca de 30% nos cinco anos, o fundo da Caixagest desvalorizou 1,60%, sendo o único com uma marca negativa. "A gestão do fundo pautou-se por um aumento da cautela relativo à 'performance' dos mercados accionistas", lê-se no relatório do Caixagest Acções Portugal relativo a 2008. Porém, o fundo acabou o ano a perder 55,43%. Não é apenas nas acções nacionais que a Caixagest ficou atrás das sociedades gestoras concorrentes. Aliás, o desempenho dos fundos da gestora da Caixa Geral de Depósitos ficou abaixo da média em todas as categorias de fundos na carteira-modelo deste artigo. A melhor posição em relação à média da concorrência foi do Caixagest Obrigações Euro, um fundo de obrigações de taxa fixa. Este fundo, que, além da CGD, também pode ser adquirido no ActivoBank7 e no Banco Best, ganhou 12,33% nos últimos cinco anos, quando as melhores escolhas dos restantes seis bancos avançaram 14,65%.
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