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"Sou a pessoa mais perseguida de todos os tempos pela justiça"

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, cuja imunidade judicial foi invalidada quarta-feira pelo Tribunal Constitucional, afirmou hoje ser o homem "mais perseguido no mundo e de todos os tempos pela justiça".

09 de Outubro de 2009 às 14:57
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O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, cuja imunidade judicial foi invalidada quarta-feira pelo Tribunal Constitucional, afirmou hoje ser o homem "mais perseguido no mundo e de todos os tempos pela justiça".

"Sou definitivamente a pessoa mais perseguida de todos os tempos pela justiça e na história dos homens no mundo inteiro. Fui submetido a mais de 2.500 audiências", disse o chefe do Governo italiano, em declarações à comunicação social, depois da reunião do conselho de ministros.

"Tive capacidade, como trabalhei sempre e consegui construir um património, de gastar mais de 200 milhões de euros em consultores e juízes", referiu Berlusconi, que corrigiu, segundos depois, esta afirmação, uma vez que queria dizer advogados em vez de juízes. O grupo Fininvest, de Silvio Berlusconi, foi condenado sábado passado a pagar cerca de 750 milhões de euros à CIR, “holding” do seu grande rival Carlo de Benedetti.

O tribunal civil de Milão considerou que a CIR tinha o "direito" de obter o pagamento pela Finivest de 749 995 milhões de euros por "prejuízo patrimonial", alegando que o grupo de Berlusconi tinha corrompido juízes e advogados para obter uma sentença favorável.

Este julgamento foi o último episódio de uma "novela" que dura há 20 anos quando o grupo de Berlusconi conseguiu retirar a propriedade do grupo editorial Mondadori ao seu criador Carlo de Benedetti.

"A perseguição continua naturalmente. Eu nunca pensei que os juízes de esquerda iriam apoiar" a lei sobre a imunidade, acrescentou Berlusconi.

"Simplesmente foi tirar algumas horas do meu trabalho como chefe de Governo para me dedicar aos processos", ironizou.

A decisão do Tribunal Constitucional terá um efeito imediato no relançamento de dois processos contra Berlusconi: um por corrupção de testemunhas (o processo Mills) e outro relacionado com a compra de direitos de emissão televisiva para o grupo Mediaset, detido pelo chefe do Governo.

A controversa lei de imunidade foi aprovada em Julho de 2008, pouco depois da vitória de Silvio Berlusconi nas legislativas realizadas em Abril desse ano, e congelava os processos judiciais contra os quatro principais titulares de cargos de Estado em Itália (Presidente, primeiro-ministro e presidentes do Senado e da Câmara de Deputados) enquanto ocupassem os seus mandatos.

Ainda em declarações à comunicação social, o primeiro-ministro italiano afirmou hoje que a imprensa estrangeira tem uma percepção "contrária à realidade" da situação actual em Itália.

"A imprensa estrangeira, que só tem relações com os jornais italianos de esquerda, vê uma situação contrária à realidade. Lamentamos esta situação", indicou.

"Ao quererem difamar o presidente do Conselho (de Ministros) acabam por difamar toda a democracia italiana. Os italianos já entenderam isto e os que ainda não entenderam, vão acabar por entender", frisou.

Berlusconi gracejou ainda sobre os esforços do executivo para acabar com a máfia: "Ainda não me prenderam por pertencer à máfia".

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