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Marine Le Pen considerada culpada de desviar fundos europeus
O tribunal francês estimou que o dano total foi de cerca de 2,9 milhões de euros.
Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, e oito eurodeputados foram considerados culpados do desvio de fundos públicos, as sentenças estão a ser lidas de forma individual ao longo das próximas horas.
O Tribunal Penal de Paris estimou que o dano total foi de cerca de 2,9 milhões de euros provenientes de um esquema que fazia com que o Parlamento Europeu "assumisse o controlo de pessoas que, na verdade, trabalhavam para o partido de extrema direita". O tribunal ditou que Marine Le Pen ficará impedida de concorrer a cargos públicos, mas ainda não foi avançado o prazo da inelegibilidade pelo que ainda não é possível saber se ficará de fora da corrida presidencial de 2027.
Entre os réus deste processo encontram-se onze eurodeputados, ou ex-deputados, da Frente Nacional, como o atual presidente da Câmara de Perpignan Louis Aliot e pai de Marine Le Pen, que faleceu a 7 de janeiro de 2025, mas também doze pessoas que trabalharam como assistentes parlamentares, incluindo a irmã de Le Pen, Yann Le Pen, e outros quatro colaboradores do partido.
Os nove eurodeputados e doze assistentes considerados culpados assinaram "contratos fictícios" que faziam parte de um "sistema" montado pelo partido, afirmou a juíza Bénédicte de Perthuis: "Ficou estabelecido que todas as pessoas trabalhavam realmente para o partido e os seus parlamentares não lhes davam nenhuma tarefa".
"As investigações também mostraram que não se tratava de erros administrativos, mas de apropriação através de um sistema criado para reduzir os custos do partido", continuou a juíza antes de explicar que o esquema não passava por "unir o trabalho dos assistentes, mas sim de unir os orçamentos dos deputados".
A pena que será conhecida ainda hoje pode determinar o futuro político de Marine Le Pen, de 56 anos, que está na liderança das sondagens para as presidenciais de 2027 e já tinha avançado que essa seria a sua terceira e última candidatura. O Ministério Público pediu cinco anos de impedimento de ocupar cargos públicos, a serem aplicados mesmo em caso de recurso, recorrendo à chamada "execução provisória".
Esta segunda-feira, à chegada ao tribunal, Le Pen manteve-se em silêncio, embora já tenha afirmado que os procuradores pretendem a sua "morte política", alegando que o caso se trata de uma conspiração para manter o RN fora do poder - uma argumentação comum à de Donald Trump ou outros populistas condenados em tribunal.
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