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Ir além dos “quick wins” nas empresas e mais ação do Estado podem acelerar descarbonização

João Manso Neto, CEO da Greenvolt, defende que as empresas podem fazer mais e ir mais longe, e o Estado também. É necessário acelerar uma mudança que é inevitável,

Negócios 07 de Maio de 2024 às 14:21
Bárbara Silva, Filipa Pantaleão, Gonçalo Nascimento e, João Manso Neto, no debate sobre descarbonização que decorreu na Grande Conferência Negócios Sustentabilidade 20|30.
Bárbara Silva, Filipa Pantaleão, Gonçalo Nascimento e, João Manso Neto, no debate sobre descarbonização que decorreu na Grande Conferência Negócios Sustentabilidade 20|30.
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As grandes empresas estão comprometidas com as metas da transição energética, o que não significa que estejam já a fazer tudo o que está ao seu alcance para as atingir. Continuam a valorizar demasiado as "quick wins" e a colocar menos energia em metas de médio e longo prazo. Nas PME o cenário é mais complexo e no Estado há uma larga margem para reforçar a aposta em áreas que nem a tecnologia, nem o investimento financeiro, são já barreiras a uma maior aposta. As ideias dominaram o painel de debate sobre a descarbonização na Grande Conferência Negócios Sustentabilidade 20|30 promovida esta terça-feira pelo Jornal de Negócios.   

 

Filipa Pantaleão, secretária-geral do BCSD, concordou que "a descarbonização já é um assunto estratégico" para as empresas, impulsionada pelo facto de haver já muita legislação e metas europeias nesse sentido. Reconheceu os atrasos e o efeito que isso começa a ter nas organizações, apontando os resultados de um estudo da Siemens, onde se apurou que quase metade das empresas já assumem que não vão conseguir cumprir as metas previstas até 2030. Nas PME o cenário é mais complexo que nas organizações maiores.

 

As barreiras são de diversas ordens e estão bem identificadas. Uma das que mais se destaca é o "grande foco nos quick wins e nas medidas de eficiência", em detrimento de estratégias mais profundas. Faltam "estratégias de transformação do negócio que olhem para este tema como algo que veio para ficar […] mesmo que a Europa agora esteja em suspenso", sublinhou. "É esta transformação do negócio que é necessária".

 

Juntam-se as tradicionais barreiras à mudança, dentro das organizações e na própria sociedade, onde cabem os receios de perder empregos, e questões relacionadas com o esforço de investimento em novas tecnologias e soluções. 

 

Leilão das baterias deve ser prioritário 

Para João Manso Neto, CEO da Greenvolt, as empresas podem fazer mais e ir mais longe. O Estado pode também fazer muito mais para acelerar uma mudança inevitável, valorizando o seu próprio património. O gestor deu o exemplo da produção energética descentralizada (solar fotovoltaico), uma das áreas onde a tecnologia está pronta, os ganhos são conhecidos e os apoios ao investimento diversos, mas o ritmo de adoção continua baixo "porque as pessoas estão focadas no que é urgente e não no que é importante". 

 

No privado, disse, os fundos do PRR acabaram mesmo por ter um efeito negativo no mercado, ao adiar investimentos que ficaram parados à espera de apoios. No sector público, o Estado "é o grande proprietário deste país" e está a aproveitar pouco este potencial de transformação para criar valor com os ativos que tem. "Uma escola pode produzir energia e abastecer-se a si e vender aos vizinhos", ilustrou. "Isto da descarbonização não têm de ser só custos, também há oportunidades e esta é uma delas".

 

João Manso Neto acredita que o futuro vai exigir diferentes soluções. "Em economias mais congestionadas não podemos simplesmente reproduzir" os modelos dos últimos anos. Temos de nos aproximar do consumidor". Isso significa uma maior aposta em soluções de produção de energia descentralizadas, com menor capacidade que a das grandes centrais. 

 

Além de mais renováveis e da eletrificação, um futuro com menos carbono também implica resolver o problema da intermitência, sublinhou ainda o gestor. O armazenamento com baterias é uma das respostas e como tal o leilão que o Governo prepara para esta área é visto pelo CEO da Greenvolt como uma prioridade, face a outros (hidrogénio ou "offshore"). 

 

Sobre o hidrogénio João Manso deixou ainda uma nota, sublinhando que tecnologias muito caras não devem ser sobrevalorizadas nas estratégias para o futuro do sector energético "porque o cidadão está preocupado mas não quer pagar mais".

 

No mesmo debate esteve Gonçalo Nascimento, "country coordinator" da L’oréal Portugal, lembrando que a marca começou a olhar para o tema da sustentabilidade em 2009. O programa atual foi lançado em 2020 e define um conjunto de metas para 2030 e a neutralidade carbónica para 2050. O gigante das cosmética está a trabalhar em várias frentes, onde se incluem repensar o packaging das embalagens, ou aumentar para 95% os ingredientes biológicos ou de origem sustentável nos seus produto, uma meta para 2030.

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