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Pelo terceiro ano consecutivo a Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Património (APFIPP) distinguiu os melhores fundos nacionais, numa cerimónia onde se focaram os desafios que a indústria enfrenta. Questões como o "tsunami regulatório", atrair mais poupança dos clientes e lidar com o fenómeno da digitalização são alguns dos temas que vão afectar a actividade das gestoras de fundos nacionais ao longo de 2018.
A crise financeira passou, mas os fundos de investimento nacionais continuam abaixo dos níveis anteriores a 2008. "Enquanto a poupança aumentou nos depósitos a prazo, os fundos estão 40% abaixo dos últimos 10 anos", explicou José Veiga Sarmento, na apresentação na abertura da cerimónia "Melhores Fundos 2017", promovida pela APFIPP e pelo Negócios, que decorreu no passado dia 5 de Junho, em Lisboa. O presidente da associação considera que um dos principais desafios da indústria é recuperar as poupanças dos clientes. E para tal as gestoras de activos precisam melhorar a sua rede de distribuição, investir em Portugal e defender o valor dos fundos nacionais, num mundo em que cada vez há um maior interesse por fundos de gestão passiva.
"É preciso embarcar para o largo. Vendermos o que somos capazes de fazer", destacou José Veiga Sarmento. E entrar na era das novas tecnologias pode ajudar a indústria nesta tarefa. A APFIPP lançou este ano um projecto para desenvolver uma plataforma de "blockchain", colocando-se na vanguarda na Europa, onde apenas existem mais duas iniciativas semelhantes, ambas no Luxemburgo.
Da auditoria, à regulação
Entre os desafios da indústria de fundos nacional permanece a questão regulatória. Segundo o presidente da APFIPP, e apesar de já terem sido introduzidas novas exigências nesta área nos últimos anos, "o 'tsunami' [regulatório] continua a fazer o seu caminho, com a entrada em 2018 de novas regras de grande impacto na indústria financeira, como a DMIF II, os PRIPPs e a nova versão das UCITS V". Na auditoria também têm sido muitas as mudanças ao longo dos últimos anos, com as exigências a sobreporem-se a outras já existentes.
João Melo Oliveira, "partner" da BDO, numa apresentação onde abordou as novas obrigações relacionadas com a auditoria e fiscalização dos fundos de investimento, destacou as dificuldades que os fundos têm tido em acompanhar todas as mudanças nesta área. De acordo com o responsável, além do novo estatuto dos técnicos oficiais de conta, duplicações de avaliações e outras novas exigências, não existe um regime mais leve para fundos de menor dimensão. "Seja um pequeno fundo, seja um grande todos têm que cumprir as mesmas obrigações", apontou, deixando críticas à forma como a legislação europeia foi transposta para Portugal.
Para Gabriel Bernardino, presidente da EIOPA e galardoado com o prémio Personalidade do Ano nos "Melhores fundos 2017", "o tsunami regulatório é uma realidade", mas uma realidade que era necessária. "Depois da crise financeira existiu a necessidade de reforçar a regulação" e "2018 vai ser um ano de particular incidência, sobretudo ao nível da protecção do consumidor", explicou o presidente do regulador europeu dos seguros.
A era da digitalização
Apesar de admitir a necessidade deste reforço regulatório, Gabriel Bernardino considerou que "é bom que se faça uma pausa" para avaliar o impacto da nova legislação e introduzir novas preocupações, nomeadamente ao nível das novas tecnologias. Para o presidente da EIOPA, o desafio da digitalização vai focar a atenção dos reguladores nos próximos anos.
Mas não foi apenas no reforço regulatório que o presidente da EIOPA concentrou, nos últimos anos, os seus esforços. Gabriel Bernardino esteve envolvido desde o início na criação do produto europeu de poupança para a reforma (PEPP), cuja proposta de criação poderá chegar de Bruxelas ainda este mês. O PEPP tem como objectivo ser simples e eficiente ao nível dos custos, promover investimento sustentável de longo prazo e responder a uma "necessidade urgente de ter poupança de longo prazo".
E para José Veiga Sarmento, "melhor do que ver um produto para a reforma, acessível em toda a Europa, é perceber que se trata de algo muito, mas mesmo muito parecido com os nossos PPR".
Premiados
Os fundos de investimento vencedores
Os prémios "Melhores Fundos 2017", uma iniciativa da APFIPP e do Negócios, distinguiram os melhores produtos em 15 categorias. Algumas não foram premiadas por não existir um número suficiente de fundos que cumprissem os critérios do regulamento. O vencedor de cada categoria é determinado com base na rendibilidade ajustada pelo risco, tendo como referência os últimos três anos. O processo de escrutínio e validação dos prémios contou com a colaboração da auditora BDO.
A crise financeira passou, mas os fundos de investimento nacionais continuam abaixo dos níveis anteriores a 2008. "Enquanto a poupança aumentou nos depósitos a prazo, os fundos estão 40% abaixo dos últimos 10 anos", explicou José Veiga Sarmento, na apresentação na abertura da cerimónia "Melhores Fundos 2017", promovida pela APFIPP e pelo Negócios, que decorreu no passado dia 5 de Junho, em Lisboa. O presidente da associação considera que um dos principais desafios da indústria é recuperar as poupanças dos clientes. E para tal as gestoras de activos precisam melhorar a sua rede de distribuição, investir em Portugal e defender o valor dos fundos nacionais, num mundo em que cada vez há um maior interesse por fundos de gestão passiva.
O tsunami continua a fazer o seu caminho, com a entrada em 2018 de novas regras de grande impacto na indústria financeira, como a DMIF II, os PRIPPs e a nova versão das UCITS V. José Veiga Sarmento
Presidente da APFIPP
Presidente da APFIPP
"É preciso embarcar para o largo. Vendermos o que somos capazes de fazer", destacou José Veiga Sarmento. E entrar na era das novas tecnologias pode ajudar a indústria nesta tarefa. A APFIPP lançou este ano um projecto para desenvolver uma plataforma de "blockchain", colocando-se na vanguarda na Europa, onde apenas existem mais duas iniciativas semelhantes, ambas no Luxemburgo.
Da auditoria, à regulação
Entre os desafios da indústria de fundos nacional permanece a questão regulatória. Segundo o presidente da APFIPP, e apesar de já terem sido introduzidas novas exigências nesta área nos últimos anos, "o 'tsunami' [regulatório] continua a fazer o seu caminho, com a entrada em 2018 de novas regras de grande impacto na indústria financeira, como a DMIF II, os PRIPPs e a nova versão das UCITS V". Na auditoria também têm sido muitas as mudanças ao longo dos últimos anos, com as exigências a sobreporem-se a outras já existentes.
O mercado português pode ter uma vantagem competitiva [na comercialização do produto europeu de poupança para a reforma]. Gabriel Bernardino
Presidente da EIOPA
Presidente da EIOPA
João Melo Oliveira, "partner" da BDO, numa apresentação onde abordou as novas obrigações relacionadas com a auditoria e fiscalização dos fundos de investimento, destacou as dificuldades que os fundos têm tido em acompanhar todas as mudanças nesta área. De acordo com o responsável, além do novo estatuto dos técnicos oficiais de conta, duplicações de avaliações e outras novas exigências, não existe um regime mais leve para fundos de menor dimensão. "Seja um pequeno fundo, seja um grande todos têm que cumprir as mesmas obrigações", apontou, deixando críticas à forma como a legislação europeia foi transposta para Portugal.
Para Gabriel Bernardino, presidente da EIOPA e galardoado com o prémio Personalidade do Ano nos "Melhores fundos 2017", "o tsunami regulatório é uma realidade", mas uma realidade que era necessária. "Depois da crise financeira existiu a necessidade de reforçar a regulação" e "2018 vai ser um ano de particular incidência, sobretudo ao nível da protecção do consumidor", explicou o presidente do regulador europeu dos seguros.
A era da digitalização
Apesar de admitir a necessidade deste reforço regulatório, Gabriel Bernardino considerou que "é bom que se faça uma pausa" para avaliar o impacto da nova legislação e introduzir novas preocupações, nomeadamente ao nível das novas tecnologias. Para o presidente da EIOPA, o desafio da digitalização vai focar a atenção dos reguladores nos próximos anos.
Mas não foi apenas no reforço regulatório que o presidente da EIOPA concentrou, nos últimos anos, os seus esforços. Gabriel Bernardino esteve envolvido desde o início na criação do produto europeu de poupança para a reforma (PEPP), cuja proposta de criação poderá chegar de Bruxelas ainda este mês. O PEPP tem como objectivo ser simples e eficiente ao nível dos custos, promover investimento sustentável de longo prazo e responder a uma "necessidade urgente de ter poupança de longo prazo".
E para José Veiga Sarmento, "melhor do que ver um produto para a reforma, acessível em toda a Europa, é perceber que se trata de algo muito, mas mesmo muito parecido com os nossos PPR".
Premiados
Os fundos de investimento vencedores
Os prémios "Melhores Fundos 2017", uma iniciativa da APFIPP e do Negócios, distinguiram os melhores produtos em 15 categorias. Algumas não foram premiadas por não existir um número suficiente de fundos que cumprissem os critérios do regulamento. O vencedor de cada categoria é determinado com base na rendibilidade ajustada pelo risco, tendo como referência os últimos três anos. O processo de escrutínio e validação dos prémios contou com a colaboração da auditora BDO.
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