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"Há décadas que percorremos o caminho da descarbonização"

Sustentabilidade norteia toda a estratégia da ATIC.

01 de Abril de 2025 às 10:35
Cecília Meireles, secretária-geral da ATIC
Cecília Meireles, secretária-geral da ATIC
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A ATIC – Associação Técnica da Indústria do Cimento trabalha diariamente para tornar a atividade do setor cada vez mais sustentável e estabeleceu metas cada vez mais ambiciosas nesse sentido. Cecília Meireles, secretária-geral da ATIC, explica qual é a estratégia e os objetivos desta indústria, os projetos em que está envolvida a Associação e os desafios que enfrenta.

Que desafios impõe a sustentabilidade à empresa, aos seus parceiros de negócio e aos fornecedores? 
A ATIC é a associação empresarial que representa a indústria do cimento, tendo como associadas a Cimpor e a Secil. Do nosso ponto de vista, a sustentabilidade não é apenas um desafio, é muito mais do que isso: é o pressuposto de toda a nossa atividade, que está constantemente presente na forma como desenhamos a nossa estratégia, como fabricamos os nossos produtos e como planeamos os nossos investimentos. Sendo o setor do cimento um dos setores hard-to-abate, e simultaneamente explicitamente reconhecido como essencial para a economia da Europa pelo Pacto Ecológico Europeu, temos um caminho exigente de descarbonização, que implica uma profunda inovação tecnológica e melhorias operacionais constantes. Mas é um caminho que já temos vindo a percorrer nas últimas décadas, com muita experiência acumulada, e que planeamos continuar com metas cada vez mais ambiciosas. É importante que os restantes parceiros nos acompanhem nesse caminho, e façam também a sua parte.

A Indústria Cimenteira Nacional produz um material insubstituível – o cimento –, sem o qual não haveria betão, um dos bens mais consumidos do mundo, e que garante coisas tão básicas e indispensáveis como segurança, qualidade de vida, habitação segura, saudável e acessível, infraestruturas ou rede de saneamento básico. O compromisso do nosso setor com as metas europeias e nacionais de descarbonização é fundamental para que essas metas possam ser alcançadas. Acontece que cerca de dois terços das emissões no setor estão relacionadas com o processo associado à produção de clínquer, elemento necessário para a produção de cimento. Estas emissões de processo têm uma margem escassa de diminuição quando considerados os meios convencionais, daí a necessidade de um enorme esforço de investigação e desenvolvimento de tecnologias inovadoras. Nós estamos a fazer esse esforço, e seria vital que vários parceiros, designadamente os legisladores e as autoridades públicas, fizessem também o seu trabalho, criando as condições necessárias ao cumprimento das metas nacionais e europeias.  

Que projetos estão a implementar?
A indústria cimenteira publicou já em 2021 o seu Roteiro para a Neutralidade Carbónica, muito detalhado quer do ponto de vista das metas, quer da forma para as alcançar. Globalmente, até 2030, o compromisso é de uma redução das emissões de CO2, face a 1990, ao longo de toda a cadeia de valor de cerca de 48%. Até 2050 o objetivo é alcançar o nível de zero emissões líquidas graças à utilização também de novas tecnologias, como a captura de CO2. É de salientar que, no período 1990-2017, o setor cimenteiro nacional já atingiu uma redução superior a 14% nas emissões específicas de CO2 por tonelada de cimento, o que implicou investimentos em medidas de redução de impacto ambiental e em I&D de cerca de 200 milhões de euros entre 2005 e 2018.

Neste momento, continuamos a investir e a trabalhar no aumento da utilização de combustíveis alternativos e da eficiência térmica, bem como no estudo do desenvolvimento de tecnologias inovadoras, com o levantamento das possibilidades de desenvolvimento da captura, infraestrutura de transporte e armazenamento de CO2. Em 2023, publicámos o Manifesto do Cimento e Betão para a Construção Sustentável e para as Cidades do Futuro – Novo Bauhaus Europeu, reforçando o nosso compromisso com a sustentabilidade, a estética e a inclusão.

Em relação à Declaração Ambiental de Produto do Cimento Cinzento Português…
Estamos também a trabalhar na Declaração Ambiental de Produto do Cimento Cinzento Português. É um exercício de reporte ambiental transparente que contribuirá para o desenvolvimento da avaliação do ciclo de vida dos edifícios e do desempenho sustentável da construção. A Declaração Ambiental de Produto foi desenvolvida pelo C5LAB – Sustainable Construction Materials Association, com colaboração da Cimpor e da Secil e coordenação da ATIC. Foi verificada por terceira parte independente, neste caso por uma equipa nomeada pelo CERTIF, enquanto organismo de certificação, e está registada no sistema DAP Habitat e no portal europeu ECO Platform.

Mais recentemente, estamos a colaborar no C2Ø – Construction to Zero, o Roteiro de Descarbonização para a fileira da construção e atividades industriais associadas, projeto em conjunto com a PTPC – Plataforma Tecnológica Portuguesa de Construção, com a ambição de ser um projeto estratégico para Portugal atingir as metas traçadas para 2050, recorrendo a sinergias dentro do setor da construção entre indústrias específicas, integrando a inovação tecnológica dos processos e contribuindo para a redução das emissões de GEE.

Qual é a importância da iniciativa Negócios Sustentabilidade 20|30? 
O Negócios Sustentabilidade 20|30 conquistou um espaço determinante na agenda de sustentabilidade em Portugal. É da maior relevância para a indústria cimenteira participar no debate e na troca de ideias que contribuem para a construção de soluções para um futuro mais sustentável.  

Descritivo da situação da associação na sustentabilidade (ESG) – Análise SWOT – Forças, Oportunidades, Ameaças e Fraquezas

Forças:

  • Compromissos calendarizados e quantificados em matéria de neutralidade carbónica, economia circular e eficiência energética, entre outros;
  • Investimento em tecnologias disruptivas, como as tecnologias de captura, utilização e armazenamento de CO2;
  • Aposta em novos tipos de cimento de baixo carbono;
  • Setor que emprega aproximadamente 5.100 pessoas, com efeito multiplicador na economia local e nacional, com volume de negócios de 485 milhões de euros em 2021.

Oportunidades:

  • Cimento essencial para o betão, que por sua vez é imprescindível para a vida em sociedade (infraestruturas, habitação, saneamento, resistência sísmica e fogo, proteção de alterações climáticas, etc);
  • Novas tecnologias como captura, utilização e armazenamento de CO2, H2 e simbiose industrial.

Fraquezas:

  • Indústria hard-to-abate;
  • Escassez de combustíveis e matérias-primas alternativas de qualidade;
  • Emissões de processo (cerca de 2/3 das emissões estão relacionadas com o processo associado à produção de clínquer);
  • Carência de mão de obra capacitada para a transformação verde e digital da construção;
  • Não existência de medidas de apoio à indústria consumidora de energia eletrointensiva.

Ameaças:

  • Morosidade nos processos de licenciamento de projetos de grande dimensão;
  • Dumping ambiental, caso o CBAM – Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço não seja efetivo ou seja adiado;
  • Imprevisibilidade legislativa;
  • Ausência de enquadramento regulatório para tecnologias de captura, utilização e armazenamento de CO2.