Opinião
Um adeus fenomenal
Não foi por acaso que chamaram ao sr. Ronaldo Luís Nazário de Lima, "o fenómeno". Três vezes considerado o melhor jogador do mundo era um tanque que atravessava as linhas defensivas adversárias como numa guerra-relâmpago.
A mistura da sua velocidade, do seu toque de bola e da sua massa muscular eram difíceis de parar até para o mais irredutível dos defesas. O sr. Ronaldo deixou o futebol porque apesar da cabeça querer, o corpo já não conseguia responder às exigências da competição. Chorou muito antes de tomar a decisão.
Os joelhos foram-no atormentando ao longo dos anos, mas isso não o impediu de ter sido determinante na final do Mundial da Coreia do Sul/Japão. Nos clubes por onde passou deixou a sua marca. Mas o que é fascinante é que, ao terminar a carreira com apenas 34 anos, ele parece carregar séculos de história às costas. É impossível compará-lo, no Brasil, com o sr. Garrincha ou o sr. Pele, heróis de outra galáxia, mas ele também garantiu muitas memórias maravilhosas aos adeptos que o aplaudiram com a camisola canarinha ou com as dos clubes por quem jogou na Europa.
Coleccionou lesões, ao mesmo tempo que a sua vida sentimental parecia a de uma libelinha saltitante. Mas dava tudo por tudo nos jogos, com uma alegria surpreendente. Mas o adeus do sr. Ronaldo faz-nos também reflectir sobre a forma como hoje os clubes buscam jovens estrelas e estas, depois, vivem num universo paralelo de compras e vendas onde a alegria de jogar futebol é o menos importante. Em Portugal, FC Porto e Benfica seguem hoje o mesmo modelo: apostam em jovens estrelas, especialmente do mercado sul-americano, integram-nas no futebol europeu e tentam rentabilizá-las. As suas equipas de formação deixaram de ser decisivas para formar a equipa principal. Olhe-se para quem normalmente joga no FC Porto e no Benfica e questione-se apenas: quantos deles eram daqueles clubes desde a mais tenra idade?
O Sporting teve, em tempos, um sonho diferente: ser como o Ajax, criando craques na sua Academia, rentabilizando-os depois de passarem pela primeira categoria. Já não é assim: a maioria dos jovens leões da Academia já não sonha em ascender ao plantel principal. Quer sair, antes disso, para o estrangeiro. Há cada vez menos espaço para quem respire alegria no futebol. Como era visível no rosto do Fenómeno após marcar um golo.
P.S.: A FIFA deu um prazo ao futebol português: ou os novos estatutos da FPF são imediatamente aprovados ou há sanções fortes. O clube de amigos que gere o futebol português, com a conivência do sr. Laurentino Dias, sabe que a festa está a chegar ao fim.
Os joelhos foram-no atormentando ao longo dos anos, mas isso não o impediu de ter sido determinante na final do Mundial da Coreia do Sul/Japão. Nos clubes por onde passou deixou a sua marca. Mas o que é fascinante é que, ao terminar a carreira com apenas 34 anos, ele parece carregar séculos de história às costas. É impossível compará-lo, no Brasil, com o sr. Garrincha ou o sr. Pele, heróis de outra galáxia, mas ele também garantiu muitas memórias maravilhosas aos adeptos que o aplaudiram com a camisola canarinha ou com as dos clubes por quem jogou na Europa.
Coleccionou lesões, ao mesmo tempo que a sua vida sentimental parecia a de uma libelinha saltitante. Mas dava tudo por tudo nos jogos, com uma alegria surpreendente. Mas o adeus do sr. Ronaldo faz-nos também reflectir sobre a forma como hoje os clubes buscam jovens estrelas e estas, depois, vivem num universo paralelo de compras e vendas onde a alegria de jogar futebol é o menos importante. Em Portugal, FC Porto e Benfica seguem hoje o mesmo modelo: apostam em jovens estrelas, especialmente do mercado sul-americano, integram-nas no futebol europeu e tentam rentabilizá-las. As suas equipas de formação deixaram de ser decisivas para formar a equipa principal. Olhe-se para quem normalmente joga no FC Porto e no Benfica e questione-se apenas: quantos deles eram daqueles clubes desde a mais tenra idade?
O Sporting teve, em tempos, um sonho diferente: ser como o Ajax, criando craques na sua Academia, rentabilizando-os depois de passarem pela primeira categoria. Já não é assim: a maioria dos jovens leões da Academia já não sonha em ascender ao plantel principal. Quer sair, antes disso, para o estrangeiro. Há cada vez menos espaço para quem respire alegria no futebol. Como era visível no rosto do Fenómeno após marcar um golo.
P.S.: A FIFA deu um prazo ao futebol português: ou os novos estatutos da FPF são imediatamente aprovados ou há sanções fortes. O clube de amigos que gere o futebol português, com a conivência do sr. Laurentino Dias, sabe que a festa está a chegar ao fim.
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