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08 de Maio de 2012 às 23:30

Razões de Esperança

O Dia Nacional não comemora triunfo de uma revolução, vitória numa batalha, conquista de um território, perenidade de uma dinastia, culto de um santo. Celebra o nosso maior poeta.

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Trambolhão a meio da noite depois de cirurgia sem história tem-me em casa de muletas há seis semanas (e mais para virem). Prefiro música ao vivo, mas com Lipatti, Casals, Glenn Gould, Trenet, Dave Brubeck e João Gilberto à mão não me queixo. Lá fora a Europa procura ganhar juízo, a ver se não passa de cavalo para burro.

Com a eleição de François Hollande em França a convicção de ser preciso fomentar crescimento económico para impedir que a austeridade nos leve à ruína ganha força em capitais europeias, mas há várias visões do que se deve fazer – algumas calamitosas – e Berlim não vai nisso. Criar mais riqueza, todavia, é urgente. Quando a economia cresce, diferenças de prosperidade não incomodam, mas quando a economia mirra doem a muita gente. Em tempo de vacas gordas a minha mulher-a-dias troca o seu Polo de três em três anos e tanto lhe faz que eu troque o meu BMW (ou que um milionário compre mais um Bentley). Em tempo de vacas magras, porém, a inveja envenena o dia-a-dia e teorias que consideram a hierarquia da sociedade imoral e ilegítima espalham-se como fogo de mato.

Populismos extremistas de esquerda e de direita ameaçam transformar democracias em ditaduras (aconteceu na Alemanha de 1933 quando Hitler foi eleito, e no Chile de 1974 quando Pinochet atalhou brutalmente o triunfalismo da esquerda). Hoje na Europa, da Finlândia à Grécia passando pela Holanda, a Hungria, a França, a extrema direita mina as liberdades fundamentais e o projecto europeu.

Nas grandes crises, é nas nações que os europeus encontram raízes e conforto e sem nações fortes não haveria União Europeia competitiva. Paradoxalmente sem União Europeia competitiva as nações teriam de descer do poleiro que, findos cinco séculos de domínio universal, ainda hoje é o seu na grande capoeira do mundo. Em tempo de incerteza, é na sua História que cada uma delas pode encontrar razões de esperança e aí Portugal não está mal servido. Para começar, o Dia Nacional não comemora triunfo de uma revolução, vitória numa batalha, conquista de um território, perenidade de uma dinastia, culto de um santo. Celebra o nosso maior poeta. As Nações Unidas têm 193 membros e não conheço caso semelhante. E, na nossa história recente, há uma passagem exemplar de que tão-pouco encontro paralelo e deveria ser motivo de orgulho e confiança de todos os portugueses.

Com o fim do Império, em 1975 cerca de meio milhão de pessoas desembarcou em Portugal das antigas colónias (e quase 200 mil nos anos logo a seguir) muitas delas só com a roupa que traziam no corpo. Portugal vivia um debate político intenso, agitavam-se direita ressabiada e esquerda irresponsável, e apesar disso depressa os "retornados" se integraram na sociedade portuguesa do Minho ao Algarve sem violência e fazendo crescer o PIB.

Heróis do mar, nobre povo - depois de tão grande feito de decência, tolerância e patriotismo as iniquidades da "troika" não hão-de ser nada e sairemos da crise mais fortes.


Embaixador



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