A FRASE...
"Vamos ter de conviver com este vírus."
António Costa, Correio da Manhã, 15 de maio de 2020
A ANÁLISE...
A julgar pelas sondagens nos vários países europeus, estar no Governo em alturas de pandemia é bastante popular. Mostrar uma face resoluta e firme no combate a uma ameaça à humanidade faz crescer o apoio a PM providenciais, à custa dos tradicionais partidos de protesto, como por cá o inconsequente e teatral Bloco de Esquerda.
Ainda será cedo para uma primeira avaliação do comportamento dos governos, e as diferentes abordagens ao risco pandémico. Por cá, o Governo português não foi muito diferente da maioria europeia, na atuação decisiva face a uma ameaça desconhecida, com potencial sério de entupimento dos hospitais. Apenas que, anos de desinvestimento na saúde, por cativações e alguns aumentos de despesa que não compensaram a redução para as 35 horas na função pública, atingiram em cheio o nosso SNS. Foi relativamente rápida a reconversão de alguns hospitais covid, em detrimento de outras doenças. Essa contabilização ainda não foi feita. E felizmente o nosso PM foi rápido a acalmar alguns talibãs da saúde, erráticos, que por vontade deles estaríamos todos confinados durante um ano em prisão domiciliária. O vírus seria eliminado e as nossas vidas também, um paradoxo num país que aprovou a eutanásia. Infelizmente foi mais brando com os professores.
Felizmente as profecias apocalípticas não se verificaram. O vírus afinal provou ser menos mauzinho. Contudo os governos não sabiam e fecharam logo à cautela, e bem. Agora é altura de abrir, assumir que tudo não passou de uma epidemia de gripe mais complicada e retirar o medo às pessoas. Ou de utilizarem o medo como pretexto. Para tal, seria necessário os políticos deixarem de se preocupar com salvar a face, de algo que fizeram bem, mas que trouxe o caos, por ventura desnecessariamente.
Agora é que vamos ver a qualidade do nosso Governo. É fácil proibir, o difícil é reconstruir uma economia que se esfrangalhou, nomeadamente os setores ligados ao turismo e ao consumo privado. Inspirar confiança e empreendedorismo nos cidadãos é difícil, fácil é o Estado tomar conta da economia, à bruta e em projetos de atribuição e retorno duvidosos, numa Venezuela socialista à espreita. Nunca correu bem…
Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.
maovisivel@gmail.com

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