Opinião
A inversão dos papéis
O Estado, nesta fase da vida colectiva, não pode ser essencialmente uma máquina de transferências de fundos entre portugueses, de credores externos para portugueses, e no limite das gerações futuras para as actuais.
A FRASE...
"Para Cavaco, fragilizar os partidos abre espaço para os forçar a um acordo. E se acontecer o contrário?"
Editorial, Jornal Público, 13 de Julho de 2013
A ANÁLISE...
Fazer política com dívida às costas muda a natureza dos partidos, e da sociedade em geral. Estamos cercados pela dívida actual que se tornará insuportável se o sistema económico e social não se regenerar rapidamente. Ao invés da extorsão fiscal crescente e permanente, que todos os partidos no governo se vêem "obrigados" a lançar para manterem a voracidade egoísta dos eleitores e as suas clientelas orçamentais, vai ser compulsório devolver à iniciativa privada a capacidade de prosperar e acumular capital.
O Estado, nesta fase da vida colectiva, não pode ser essencialmente uma máquina de transferências de fundos entre portugueses, de credores externos para portugueses, e no limite das gerações futuras para as actuais.
A dívida futura tem de ter um travão, agora concebido pelos credores. Preferencialmente deveria ser de regime constitucional e de essência partidária.
Com a proposta do Presidente da República os partidos devem estar a compreender que terminou o tempo das reformas adiadas, das eternas discussões se os cortes são inteligentes ou cegos, e o das promessas eleitorais feitas com o dinheiro dos outros.
Não os fragiliza, mas robustece-os se quiserem agarrar o futuro.
Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.
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