Política Monetária BCE mantém programa de compras nos 750 mil milhões, mas facilita operações aos bancos

BCE mantém programa de compras nos 750 mil milhões, mas facilita operações aos bancos

Na noite de 18 de março, o BCE disparou a bazuca e anunciou o lançamento de um novo programa de compra de ativos públicos e privados. Agora espera-se que Christine Lagarde encoraje os Governos a gastar o que for preciso.
BCE mantém programa de compras nos 750 mil milhões, mas facilita operações aos bancos
EPA
Margarida Peixoto 30 de abril de 2020 às 12:56
O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) manteve inalterada a dimensão do programa de compra de ativos criado especificamente para reagir à pandemia, nos 750 mil milhões de euros. Porém, tomou medidas para facilitar o acesso dos bancos a financiamento. A decisão foi anunciada esta quinta-feira, em comunicado.

Alguns analistas admitiam a possibilidade de o BCE anunciar já um alargamento do novo programa de compras, mas outros esperavam que essa medida se mantivesse guardada para junho, quando for mais percetível o nível de emissões de dívida que os Estados terão de fazer para apoiar as economias. Na reunião de hoje, os banqueiros centrais decidiram manter o montante inalterado.

Ainda assim, o BCE tomou outras medidas de apoio. Desde logo, facilitou as operações de refinanciamento de prazo alargado direcionadas III (na sigla inglesa, TLTRO III), baixando a taxa de juro aplicável para -50 pontos, face à média verificada nas principais operações de refinanciamento, durante o mesmo período. Na reunião de março esta taxa de juro tinha ficado em -25 pontos.

Além disso, para os bancos que atingem o limite de empréstimos a que podem aceder, a taxa aplicada passa também para -50 pontos abaixo da média aplicada à facilidade de depósitos. 

Estas medidas pretendem facilitar o acesso ao financiamento por parte dos bancos, para que estes possam depois conceder crédito com maior facilidade também à economia. Na reunião de março, o BCE frisou a importância destas operações para fazer chegar financiamento e liquidez às pequenas e médias empresas mais afetadas pelas medidas de reação à pandemia.

Outra medida de apoio decidida hoje foi a criação de uma nova série de operações de prazo alargado de refinanciamento de emergência. O objetivo aqui é dar a segurança de que há liquidez disponível, é um backstop para o caso de as condições de acesso aos mercados se começarem a degradar. O programa consiste em sete operações – a primeira será lançada já em maio – com maturidade entre julho e setembro de 2021. A taxa de juro será 25 pontos base abaixo da média das operações de refinanciamento verificadas no mesmo período.

Programa de compra de ativos inalterado

Em meados de março, o BCE decidiu lançar um novo programa de compra de ativos, especificamente por causa da pandemia, num total de 750 mil milhões de euros. Este programa permite a compra de títulos de empresas e soberanos e tem como objetivo evitar uma subida dos juros exigidos pelos investidores para financiar as economias. Com ele, o poder de fogo da instituição liderada por Christine Lagarde atinge 1,1 biliões de euros.

O BCE reforça que "está totalmente preparado para aumentar a dimensão do PEPP [a sigla inglesa para o programa criado para reagir à pandemia] e ajustar a sua composição, em tanto e por quanto tempo seja necessário". Repete também que "está pronto para ajustar todos os seus instrumentos, conforme seja apropriado, para garantir que a taxa de inflação evolui de forma sustentada em direção ao objetivo".

Tal como esperado, a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito continuam inalteradas em 0,00%, 0,25% e -0,50%, respetivamente. Neste capítulo, as orientações do BCE não mudaram uma vírgula, com o conselho a assegurar que se vão manter "nos níveis atuais ou em níveis inferiores" até que a inflação comece a aproximar-se do patamar de 2%, incluindo a dinâmica subjacente.

Christine Lagarde explicará as decisões do Conselho do BCE, numa conferência de imprensa, marcada para esta tarde. Os dados sobre a evolução do PIB na zona euro revelados hoje vieram colocar mais pressão sobre o conselho do BCE: a estimativa rápida do Eurostat aponta para uma quebra de 3,8% do PIB no primeiro trimestre, quando comparado com o quarto de 2019, a maior descida desde que há registos.

(Notícia atualizada às 13:38)



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