Notícia
Mubarak sai da prisão para um hospital militar
O antigo presidente egípcio foi transportado para um hospital militar onde ficará sob custódia.
Depois de ser conhecida a decisão de libertar Hosni Mubarak, antigo presidente do Egipto, o Executivo egípcio, nomeado pelos militares, optou, ainda na quarta-feira, para evitar o avolumar de tensão social e política em que o país se encontra, por deslocar o antigo ditador para um hospital militar.
Depois de um tribunal ter acedido ao pedido da defesa de Mubarak, que considerava expirado o prazo limite de prisão preventiva, esta quinta-feira, o antigo ditador, antecedido pela garantia do procurador-geral de que não seria alvo de mais nenhuma acusação, foi transportado de helicóptero da prisão de Tora, onde se encontrava detido há dois anos, para um hospital militar onde ficará sob observação e custódia.
Esta custódia irá durar até, pelo menos, à repetição do julgamento que havia considerado Mubarak culpado pelo crime de cumplicidade na morte de 846 civis, durante várias manifestações no início de 2011. O julgamento inicial condenou Mubarak a prisão perpétua, mas foi entretanto anulado devido à existência de várias irregularidades no processo. Neste caso estão ainda envolvidos vários colaboradores próximos do ditador e os seus dois filhos.
O “status quo” no Egipto é de grande incerteza. Teme-se um adensar das tensões que venha a deflagrar uma guerra civil. Dum lado está o exército e antigos apoiantes de Mubarak e do outro a Irmandade Muçulmana, cujo antigo líder, Mohamed Morsi, se encontra detido, depois de ter sido afastado da presidência do Egipto pelos militares. O exército, cuja influência foi marcante durante os 30 anos de ditadura, temia que o islamismo da Irmandade colocasse em causa a sua influência e poder.
Esta contra-revolução, levada a cabo pelos generais, poderá significar um regresso à doutrina do antigo presidente que defende uma institucionalização do pan-arabismo. Porém, são muitos os egípcios mais ortodoxos que defendem a islamização do poder. É uma parte importante da população, até pela vitória que garantiu a eleição democrática da Irmandade Muçulmana nas últimas eleições. A rua poderá ter um papel decisivo no confronto entre duas visões distintas num dos países mais preponderantes da região.