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Ex-presidente do INEM preso por suspeitas de corrupção na “máfia do sangue”

Luís Cunha Ribeiro, que foi presidente do INEM, foi detido esta manhã pela PJ sob suspeita de corrupção no caso “máfia do sangue”. O caso está relacionado com o alegado favorecimento da Octapharma, empresa onde trabalhou José Sócrates. PGR já confirmou uma detenção.

Pedro Catarino/Correio da Manhã
13 de Dezembro de 2016 às 09:36
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Luís Cunha Ribeiro, que foi presidente do INEM e da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo foi um dos detidos esta manhã pela Polícia Judiciária, sob suspeita de corrupção no caso conhecido por "máfia do sangue", segundo avança esta terça-feira, 13 de Dezembro, o Correio da Manhã. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já confirmou uma detenção.

Cunha Ribeiro fez parte do júri do concurso que em 2000 entregou à farmacêutica Octapharma – onde mais tarde veio a trabalhar José Sócrates – o monopólio da venda do plasma sanguíneo aos hospitais públicos portugueses e, de acordo com o jornal, terá passado 16 anos a beneficiar desta e de outras decisões.

O Correio da Manhã refere que a empresa de Lalanda de Castro corrompeu o médico com dois apartamentos de luxo, um deles na rua Castilho, em Lisboa – no prédio onde também viveu o ex-primeiro-ministro – e o outro na Alameda Eça de Queirós, no Porto.

As duas casas eram propriedade da Convida, sociedade de Lalanda de Castro. No primeiro caso, terá sido simulado um contrato de arrendamento com o médico e no segundo caso o apartamento terá sido vendida por valores muito abaixo do mercado.

Há mais detidos e mais suspeitos alvos de busca nesta operação, que está a ser coordenada há mais de um ano pelo DIAP de Lisboa. A operação envolve buscas ao Ministério da Saúde, à sede do INEM, à ARS de Lisboa e ao Hospital de São João, no Porto. 

PGR confirma uma detenção

Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República confirmou uma detenção e explicou o que está em causa. Os factos ocorreram entre 1999 e 2015.

Investigam-se "suspeitas de obtenção, por parte de uma empresa de produtos farmacêuticos, de uma posição de monopólio no fornecimento de plasma humano inactivado e de uma posição de domínio no fornecimento de hemoderivados a diversas instituições e serviços que integram o Serviço Nacional de Saúde (SNS)", lê-se no comunicado.

"Para o efeito, um representante da referida empresa de produtos farmacêuticos e um funcionário com relevantes funções no âmbito de procedimentos concursais públicos nesta área da saúde terão acordado entre si que este último utilizaria as suas funções e influência para beneficiar indevidamente a empresa do primeiro", prossegue a PGR.


Estão em curso mais de três dezenas de buscas, quatro delas em instituições da saúde, incluindo o ministério da Saúde e o INEM.

Há também buscas em escritórios e "locais de trabalho de advogados", precisa a PGR, informando que, além das operações na Grande Lisboa e Grande Porto, há duas buscas "que têm lugar em território suíço".

Notícia actualizada às 10:00 com o conteúdo do comunicado da Procuradoria-Geral da República (PGR).



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