Ursula Von der Leyen enunciou um amplo e difícil caderno de encargos para o mandato da portuguesa Elisa Ferreira como comissária da Coesão e Reformas, desde logo com missões como o reforço da integração na moeda única e a utilização plena da flexibilidade que as regras orçamentais asseguram de modo a criar condições para as economias crescerem.
Na apresentação do programa da nova Comissão Europeia, a presidente eleita do órgão executivo da União Europeia defendeu que é preciso "completar a união económica e monetária (UEM)", usar a "flexibilidade garantida pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC)" e "apoiar os Estados-membros com investimentos orientados e reformas estruturais".
"É tempo de completar a UEM para promover o crescimento e o emprego com o reforço da resiliência macroeconómica. Temos de usar a flexibilidade garantida pelo PEC para dar tempo e espaço às nossas economias para crescerem. E, ao mesmo tempo, apoiar os Estados-membros com investimentos orientados e reformas estruturais", declarou Von der Leyen já depois de alertar para as "nuvens que se formam no horizonte", o que exige que a UE aposte naquilo em que é forte: o "mercado único" e a "moeda única".
Von der Leyen disse ainda ser preciso tornar o sistema financeiro da UE "mais forte", o que exige concluir a união bancária e a união dos mercados de capitais, projetos que vão "facilitar o financiamento".
Enunciando as prioridades da futura Comissão, Von der Leyen começou por elogiar o "legado" do presidente cessante Jean-Claude Juncker, notando, porém, que nos últimos anos a UE teve de se "focar no aqui e agora", sobretudo concentrada na resposta à crise financeira.
E considerando que o projeto europeu saiu reforçado da crise financeira, a ex-ministra alemã assegurou que "a Europa está pronta" para tomar dianteira nos desafios que se colocam.
Destacou ainda a "proteção do clima" como uma "questão existencial para a Europa e o mundo". Sobre as alterações climáticas, recorreu a um punhado de exemplos, tais como "as inundações em Veneza" ou os "fogos em Portugal", para sustentar que a União não pode dar-se ao "luxo de perder tempo" na resposta ao desafio climático e que deve assumir a liderança no processo definindo "padrões" globais.
"O ‘Green Deal’ é imperativo para os nossos povos e também para a nossa economia", prosseguiu sublinhando que "a estratégia de desenvolvimento" europeia terá de assentar numa política verde e que cabe à Europa "liderar esta viagem", desde logo garantindo que o "financiamento climático seja transversal a todo o orçamento [comunitário]".
União como "campeã do multilateralismo"
Numa altura em que o protecionismo continua a dominar a posição comercial dos Estados Unidos, a presidente eleita da Comissão Europeia defende que o mundo precisa da liderança europeia.
Isto exige que a União assuma a posição de "campeã do multilateralismo", promovendo os "interesses" europeus "através do comércio justo e aberto", pois "parceiros fortes fazem com que também a Europa seja forte".
Apostar na digitalização como forma de promover a "competitividade das empresas europeias" foram outras ideias lançadas por Von der Leyen que lembrou ser necessário "modernizar" o quadro financeiro plurianual da União (orçamento comunitário plurianual).
A resposta à imigração, uma questão que a política germânica avisa não estar resolvido nem ter deixado de existir, foi outro desafio apontado por Von der Leyen.
Concluída a intervenção de Ursula Von der Leyen, teve início o debate no plenário europeu sobre as
prioridades apresentadas pela presidente eleita do órgão executivo comunitário. Findo o debate, os eurodeputados terão de votar para aprovar, ou rejeitar, o novo colégio de comissários (basta maioria simples).

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