Educação Faculdade de Ciências da Universidade Nova aposta no digital para "não deixar ninguém para trás"

Faculdade de Ciências da Universidade Nova aposta no digital para "não deixar ninguém para trás"

À medida que o desconfinamento vai avançando, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL) está a avaliar novas metodologias de ensino e atenta às dificuldades sentidas por muitos alunos.
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Lusa 16 de maio de 2020 às 11:16
O reitor da UNL, João Sàágua, acredita que reação às contingências levantadas pela pandemia de covid-19 foi a melhor e olha já para o futuro. Nesse domínio, chegam à UNL relatos de dificuldades económicas de muitos alunos e o reitor promete medidas dirigidas.

"Estamos a reforçar os fundos de emergência de ação social para que ninguém deixe de estudar na Universidade Nova por uma limitação económica. A UNL é uma instituição pública e não deixa ninguém para trás", garante.

Por outro lado, lembra que a possibilidade de uma segunda vaga da pandemia está já também a ser equacionada e pretende que a resposta seja ainda mais ajustada do que a registada durante o estado de emergência.

"Do ponto de vista da atividade do próximo ano, e analisando o comportamento da pandemia, procuraremos garantir que o ensino possa ter uma dimensão presencial, mas temos de estar preparados para uma alternativa, que obviamente passará por um ensino à distância de qualidade. E só a combinação das duas modalidades, ensino à distância e presencial, poderá garantir um ensino de qualidade", sublinha João Sàágua.

Localizada na Costa de Caparica, em Almada, o campus da FCT acolhia diariamente uma média de 11.000 pessoas, das quais 8.500 alunos. Confrontada com a pandemia, em dois dias a direção decidiu que a faculdade devia ser encerrada e o ensino realizado à distância. Um desafio que o diretor da FCT, Virgílio Machado, encarou com confiança.

"Somos uma escola de tecnologia e não foi nada difícil para nós implementar este sistema, até porque na faculdade já existia um departamento de 'e-learning' que há mais de 20 anos fazia trabalho neste sentido. Este processo foi apenas um incentivador para alargar em tempo muito curto esta prática", explica o diretor à Lusa, louvando o "empenho de todos" e "a capacidade de inovação" de professores e docentes.

Embora reconheça méritos ao sistema de ensino à distância, Virgílio Machado admite que a necessidade de "meter as mãos nos projetos", uma das "imagens de marca" da faculdade, obriga à presença física e que esse é o grande desafio que a instituição terá nos próximos meses.

"Estamos a tratar aspetos logísticos para conciliar o ensino à distância com o ensino presencial, tentando perceber como podemos, mais eficientemente, utilizar algumas ferramentas que esta oportunidade nos deu a conhecer", afirma o diretor da FCT.

João Sàágua vai mais longe e acredita que o ensino jamais voltará a ser o mesmo depois da pandemia de covid-19.

"O ensino do século XXI vai ter de sofrer uma transformação digital. Este processo que encarámos, que foi um ensino à distância de emergência, foi um acelerador da transformação digital do ensino que é necessário fazer", advoga o reitor, sublinhando que a mudança terá de envolver forçosamente o ensino presencial, "que dá uma experiência diferente e de mais valia incomparável".

Portugal contabiliza 1.190 mortos associados à covid-19 em 28.583 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.



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