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Estrangulamentos globais atrasam entrega de máscaras e alimentos

A entrega de alimentos e material médico entra numa fase crítica com o pico da pandemia da covid-19 nos Estados Unidos e na Europa, colocando o sistema de comércio global sob o maior teste de stress desde a Segunda Guerra Mundial.

18 de Abril de 2020 às 14:00
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Equipas médicas em países mais ricos estão a morrer por falta de materiais de proteção, enquanto os governos enfrentam falta de ventiladores e medicamentos. Sob pressão para garantir fornecimentos, as autoridades iniciam uma batalha com novas barreiras comerciais.

A outra urgência é proteger a cadeia alimentar global e as pessoas que trabalham no processamento e transporte de produtos. Frigoríficos, explorações de legumes, camiões, navios, trabalhadores e infraestrutura enfrentam desafios.

Em suma, a espinha dorsal do comércio global precisa de reforço antes de qualquer plano para passar do "modo crise" para a recuperação.

 

‘Você não pode ir para casa’

Os armadores, por exemplo, que transportam cerca de 80% dos produtos comercializados internacionalmente, operam com tripulações que ficam presas nos navios por muito mais tempo do que o habitual.

Normalmente, cerca de 100 mil trabalhadores marítimos - um em cada 12 do total global - embarcam todos os meses para aliviar os colegas. Essa troca de tripulação é impossível agora em grande parte do mundo por causa de regras restritas de viagens aéreas ou portuárias.

"Quando chegarmos a meados de maio, será uma crise real, a menos que comecemos a agir agora", disse Guy Platten, secretário-geral da Câmara Internacional de Navegação (ICS, na sigla em inglês), em entrevista. O ICS pede que o G-20 classifique os trabalhadores marítimos como "essenciais", para que se possam deslocar mais livremente para poder trabalhar, principalmente ao transitar por aeroportos.

Empresas como a Oldendorff Carriers GmbH & Co. enfrentam o impacto das restrições. A maior transportadora de "commodities" da Alemanha, como grãos, carvão e fertilizantes, possui 700 navios e 4,5 mil funcionários, alguns dos quais não voltam para casa há meses.

"A tripulação não deve permanecer no navio eternamente", disse Scott Bergeron, diretor de desenvolvimento e estratégia de negócios da Oldendorff. "É o equivalente de dizer a um médico ou enfermeiro: 'Você não pode ir para casa no final do seu turno, ficará no hospital até que a crise termine'."

Camiões esperam para atravessar a fronteira da Hungria com a Roménia, 8 de abril de 2020. 

Os camionistas também enfrentam problemas. Em partes de África, nem conseguem trabalhar porque não há transporte público. Na Europa, esperam em longos engarrafamentos para atravessar fronteiras supostamente abertas.

Colocando barreiras

Em todo o mundo, os motoristas que transportam mercadorias internamente ou entre países cumprem regras aplicadas localmente, destinadas a restringir a mobilidade da população em geral para impedir a propagação do vírus.

"Tivemos muitos governadores e autarcas a colocar barreiras à circulação segura e eficiente de mercadorias", disse Sean McNally, porta-voz das Associações Americanas de Transporte por Camiões. "Se as autoridades querem ter as prateleiras das lojas reabastecidas e os hospitais com medicamentos, precisam fazer ajustes para os camiões e motoristas".

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